TEMA:
AVALIANDO 2000 E PROJETANDO 2001
É fundamental
para que se faça uma boa avaliação dos resultados da política econômica
do governo, que se busque relembrar alguns importantes conceitos envolvendo
a macroeconomia.
A macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a determinação
e o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto nacional,
nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas
de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio.
Neste contexto a teoria macroeconômica preocupa-se com os resultados
de curto prazo, analisando aspectos como os do emprego e desemprego,
entre outros.
Para avaliar adequadamente o desempenho de 2000 e projetar 2001 vejamos
a economia apartir das metas de política macroeconômica.
Metas de política macroeconômica:
Alto nível de emprego
Avaliando
2000
Perspectivas
para o emprego/desemprego 2001
Resumindo
Estabilidade de preços
Avaliando
2000
Perspectivas
para a estabilidade de preços em 2001
Resumindo
Distribuição de renda socialmente justa
Avaliando
2000
Perspectivas
para distribuição de renda em 2001
Resumindo
Crescimento econômico
Avaliando
2000
Perspectivas
de crescimento econômico em 2001
Resumindo
Demais variáveis
Política
monetária
Política
fiscal
Política
cambial
Conclusões
Alto nível de emprego
Avaliando
2000
Em 2000 o governo brasileiro conseguiu reverter a trajetória de
crescimento do desemprego. Tanto o IBGE como o DIEESE apresentaram queda
no nível de desemprego no país.
O IBGE, que apura o nível de emprego e desemprego nas principais capitais
brasileiras saiu de um índice de 8,35% em Janeiro deste ano, para 7,50
% em novembro, último dado disponível.
Com outra metodologia e apurando a taxa de desemprego somente na grande
São Paulo, o DIEESE apurou redução de 17,7% em janeiro para 16,2% em
novembro.
Observe-se que ambos estão distantes da meta "alto nível de emprego".
Todavia o que vale nesse contexto, após anos de crescimento, é a tendência
de queda.
Mesmo considerando essa tendência, 2000 na questão do emprego nos remete
a refletir sobre alguns aspectos:
1- Como abrigar o grande contigente de mão de obra que entra no mercado
de trabalho todo ano?
2- Como requalificar e manter reciclagem permanente para que haja oportunidades
idênticas à todos os trabalhadores?
3- Como possibilitar crescimento econômico e geração de alto número
de vagas no mercado de trabalho?
É importante observar que as empresas e próprio setor público não contratam
mão de obra no mesmo volume do passado. A tecnologia se incorporou definitivamente
nas empresas. Não é mais o lucro que comanda a empresa e sim a produtividade.
Com a Lei de Responsabilidade Fiscal ficará cada vez mais estreita a
possibilidade de contratações no setor público.
Chegou o momento da discussão da empregabilidade, desarmando a "armadilha"
dos encargos sociais alardeada como "conquista" na Constituição de 88.
Perspectivas
para o emprego/desemprego 2001
Considerando que parte dos problemas do emprego advém da conjuntura
econômica, podemos projetar que 2001 manterá a tendência de queda, todavia,
considerando o enxugamento do setor público e o crescimento marginal
do emprego, essa queda será lenta e ficará distante do pleno emprego.
Resumindo
Em 2000 o desemprego deixou de ser a variável de maior preocupação,
reverteu a tendência de elevação, todavia, não há perspectivas que possamos
atingir o nível desejado que garanta "alto nível de emprego".
Conviveremos em 2001 com taxas declinantes, contudo, com quedas lentas
e marginais.
Estabilidade de preços
Avaliando
2000
O controle da inflação tem sido a tônica do governo FHC. Se tirássemos
um retrato "localizado", para verificar o grande trunfo da equipe econômica
que comanda o país nos últimos 6 anos, poderíamos afirmar que a controle
da inflação foi a maior conquista.
Vale destacar que em 2000, pressionado pelos aumentos de custos (tarifas
que não são mais públicas e petróleo) observamos um repique nos índices
de preços. Isso se deu no meio do ano, com destaque para julho e agosto.
Mesmo assim, demonstrando que, com uma política monetária apertada,
com uma política fiscal austera, foi possível manter os índices de inflação
sob controle.
O IPCA do IBGE, índice oficial do governo, aponta para um acumulado
no ano (até novembro) de 4,70%. Se tomarmos outros índices, de outros
institutos de pesquisa, teremos inflação anual na casa dos 6 a 10%.
Isso tudo com crescimento da economia, baixo, mas com crescimento.
Esta variável nos parece, se não está totalmente controlada, o indicativo
é que não tenhamos "sustos" pela frente.
Mérito do governo FHC no controle de preços.
Perspectivas
para a estabilidade de preços em 2001
Manteremos o controle da inflação pelas políticas fiscais e monetária,
enquanto esperamos a consolidação do processo de reformas que se arrasta
por esses anos todos.
Considerando que passamos momento difíceis (janeiro de 99 e julho/agosto
de 2000) e mesmo assim os preços não dispararam, o indicativo é para
uma inflação baixa para 2001.
A aposta é que fique na cada dos 4% no fechamento de 2001.
Resumindo
Em 2000 a inflação foi pressionada pela necessidade de geração
de superávits no setor público, notadamente na conta petróleo, que passou
o ano a mercê do comportamento dos preços internacionais.
Estamos nos consolidando no combate efetivo da inflação. As perspectivas
para 2001 são positivas nesse aspecto.
Distribuição de renda socialmente justa
Avaliando
2000
Se do lado da inflação a equipe econômica pode ter uma avaliação
positiva, o mesmo não ocorre nas questões sociais.
Vem sempre a alegação de que "não se faz omelete sem quebrar os ovos",
mas essa justificativa já não é mais aceita.
Não obstante termos conseguido controlar a inflação e termos observado
crises externas e internas, a distribuição da renda no país continua
sofrível.
A inflação que era a grande desculpa para que houvesse concentração
da renda, não pode ser mais utilizada para justificar a ausência de
avanços nesse setor.
A política tributária no país é equivocada, tributando mais quem ganha
pouco e abrindo "brechas legais" para se tributar, proporcionalmente
menos, quem ganha mais.
Em 2000 ainda ficamos distantes de atingir essa meta econômica, e, o
que é pior, apertando ainda mais a renda da classe média, com aumentos
de impostos, não corrigindo a tabela progressiva do imposto de renda
e ainda não implementando uma política clara de recomposição salarial.
Ainda vivemos em 2000 a tônica de manter o emprego para depois pleitear
recomposições.
O setor público também padeceu, exceto poucas setores, os demais estão
sem reajustes salariais há 5 anos.
Perspectivas
para distribuição de renda em 2001
No setor público não há indicativos de melhoria do nível salarial em
2001. Até mesmo o setor privado não será capaz de possibilitar a recuperação
do nível de renda dos trabalhadores.
Não há uma política governamental nesse sentido. O alívio poderá vir
com a implantação da renda mínima, contornando parte do caos social.
A informalidade ainda será o alívio da pressão mais forte da sociedade
por melhorias nas questões sociais.
Resumindo
Em 2000 não houve avanços sociais, ficando a preocupação primeira com
o controle da inflação.
Não há perspectivas de melhora para 2001 a não ser a possibilidade da
ampliação marginal do emprego e manutenção dos empregos atuais.
Crescimento Econômico
Avaliando
2000
Finaçmente voltamos a crescer de forma mais consistente. Puxado
pelo setor industrial, deveremos fechar o ano com crescimento na casa
dos 4%.
Está muito distante do necessário para recuperar o fraco desempenho
dos últimos anos, contudo, podemos considerar que estamos dando um primeiro
passo.
Em 2000 não tivemos um crescimento uniforme. Os setores primário e terciário
não acompanharam o bom desempenho do setor secundário da economia.
Mas o crescimento verificado foi suficiente para demonstrar uma nova
tendência da economia brasileira: recuperação.
Perspectivas
de crescimento econômico em 2001
Em 2001 deveremos manter o nível de crescimento econômico. Se "calibrarmos"
a pauta de exportações, com linhas de crédito e incentivos; se houver
uma liberação maior da economia via queda de juros primários e na ponta;
se houver por parte do governo a retomada de investimentos, poderemos
crescer na casa dos 4,5% em 2001. Estamos falando em crescer 4,5% sobre
a base de 2000 que já observou crescimento na casa dos 4%.
O ideal seria crescer entre 7 e 9%, mas devemos considerar a fragilidade
de nosso modelo, alicerçado em poupança externa e, portanto, "vulnerável"
às crises internacionais. De qualquer maneira não há motivos, mesmo
sem reformas estruturais, que nos remetam a época de baixo crescimento
econômico.
Vale salientar que crescer é só uma pré-condição para alcançarmos o
desenvolvimento econômico.
Resumindo
Em 2000 o crescimento da economia ficou dentro do previsto, puxado pelo
bom desempenho do setor industrial.
Um crescimento mais acentuado para 2001 dependeria de uma redução mais
intensa da taxa de juros para o tomador final e a retomada dos investimentos
do setor público.
Sem perspectivas de "afrouxamento" mais acentuado da economia deveremos
crescer praticamente no mesmo nível deste ano.
A aposta é em crescimento de 0,5 ponto percentual acima dos níveis deste
ano, ou seja, 4,5%.
Demais variáveis
Política
monetária
A política monetária tem sido "apertada" no governo FHC. Fica evidente
a postura conservadora da equipe econômica. A taxa de juros real, acima
da inflação, deve ser balizada para ficar em um dígito.
Em que pese o esforço do governo no sentido de reduzir a taxa básica,
a grande expectativa é quando essa redução atingirá o tomador final
de recursos.
Para que isso ocorra o governo deve trabalhar na redução do compulsório,
da eliminação/redução do IOF nas operações financeiras.
Além desses aspectos há que se ter uma reversão no mercado, passando
de demandante para ofertante, desta forma, ampliando o crédito via sistema
bancário, se abra espaço para uma redução mais acentuada.
Taxa de juros básico (Selic) em queda dependendo do cenário externo
(considerando que os fundamentos econômicos internos estão sob controle).
Juros real em queda.
Juros na ponta ainda elevados.
Aposta: virada do ano 2001, com taxa básica de 12% ao ano e juros real
de 8% ao ano.
Política
fiscal
O ano de 2001 será marcado pela "caça as bruxas". O esforço do governo
será na tentativa de receber os valores devidos pelos inadimplentes
e evitar a sonegação.
Não há mais capacidade de aumentar a carga tributária. A discussão em
torno da reforma tributária será pontual e poderemos ter, finalmente,
sua aprovação.
Mas as metas com o FMI estão aí e deverão ser cumpridas.
Considerando o ambiente pré-eleitoral (definições para 2002), poderemos
ter a retomada dos investimentos públicos, mas sem exageros, afinal,
a Lei da Responsabilidade Fiscal veio para colocar disciplina nessa
questão.
Política fiscal um pouco mais "frouxa" em 2001 via aumento da arrecadação
dos créditos passados.
Fica a dúvida: como viabilizar a previdência, que gera déficit em cima
de déficit.
Política
cambial
Ficou evidente em 2000 que não é somente com câmbio que se recupera
o comércio internacional. Vai muito mais além disso.
Em 2001 precisaremos reconquistar o espaço perdido nas exportações.
Teremos que equacionar produtividade, custo Brasil e ainda canalizar
recursos para financiar as exportações.
O balanço de pagamento ainda será financiado pela entrada direta de
capitais (produção e especulação) uma vez que o resultado da balança
comercial ainda será baixo.
Aposta em superávit comercial na casa dos 2 bilhões de dólares. O câmbio
será desvalorizado o suficiente para acompanhar a inflação interna.
Aposta em um câmbio na casa de R$ 2,03 na virada de 2001.
Conclusões
O ano 2000 pode ser considerado o ano da "virada" na economia brasileira.
Passamos ilesos às crises externas e mantivemos um mínimo de confiança
interno.
Os agentes econômicos estão mais escaldados e não se abalam facilmente.
A economia cresceu em um nível insuficiente, mas cresceu. O câmbio seguiu
a lógica do mercado, os juros caíram lentamente, mas caíram.
O governo FHC continua pecando no social. Pouco, mas pouco avanço mesmo,
nessa questão. Só não foi mais grave porque o setor industrial puxou
o crescimento, garantindo a manutenção dos empregos atuais.
Apesar dessa constatação podemos dizer que para a economia (não para
a classe média) 2000 foi bom, demonstrando que o sacrifício da população
não está sendo em vão.
Teremos um 2001 que pode ser o ano da consolidação do controle efetivo
dos fundamentos da economia. Será preciso encontrar uma solução duradoura
para o déficit da previdência, o grande desafio de 2001.
Poderemos, em velocidade menor do que a desejada, mas dentro do previsível,
avançar 2001, podendo ser um ano melhor que 2000.