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Agora você pode tirar suas dúvidas sobre a economia em seu cotidiano.Temas que a imprensa não explica, interpretados passo a passo por Reinaldo Cafeo, nosso Guru Econômico, neste novo serviço do ECONOMI@ Online.

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TEMA: INFLAÇÃO



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01. Como é feito o cálculo de índices de preços como o IGP-M e o IPC?

Cada Instituto tem sua própria metodologia para definir o cálculo da inflação. O IPC da FIPE é definido na cidade de São Paulo e é o mais tracional indicador de evolução de custo de vida das famílias paulistanas. O início da série é de 1939. É calculado a partir de coleta de preços para uma faixa de renda familiar entre 1 e 20 salários mínimos. 340 produtos compõem a ponderação do índice. A estrutura de ponderação é a seguinte: Alimentação (30,8075%); Habitação (26,5159%); Transportes (12,9684%); Despesas Pessoais (12,5199%); Vestuário (8,6580%); Saúde (4,5814%); Educação (3,9484%). Os preços são coletados por quadrissemanas, mas o índice final refere-se ao chamado mês fechado, comparando-se com idêntico período do mês anterior.

O IGP-M é apurado pela Fundação Getúlio Vargas. É apurado entre o dia 21 de um mês e o dia 20 do mês seguinte. É calculado com uma ponderação três outros índices: 60% IPA (indice de preços no atacado); 30% do IPC (índice de preços ao consumidor) e 10% do INCC (índice nacional da construção civil). [voltar ao topo]

02. Estes números que governo divulga são confiáveis? Eles refletem a realidade?

Todos os índices são confiáveis, todavia representam médias, e com tais devem ser analisados. [voltar ao topo]

03. Por que os preços parecem aumentar mais do que demonstram estes índices?

Exatamente porque a inflação é média de preços. Isoladamente uma pessoa pode sentir um peso maior no aumento de preços do que outra. Por exemplo: o aumento do preço de cigarro tem um peso no orçamento da pessoa que fuma, mas não necessariamente em quem não fuma. Mas esse preço é ponderado com outros produtos, que podem eventualmente ter baixado. Se em um período aumenta o preço da carne, mas cai o preço da batata, por exemplo, o índice, considerando as devidas ponderações, pode indicar aumento ou queda de preços médios no mercado.

Em resumo: a sensação de aumento de preços acima da inflação divulgada é mais sentida por quem consome, naquele período, mais produtos que observaram maior aumento de preços. Mas vale a média ponderada de preços. [voltar ao topo]

04. Como os aumentos nos preços dos combustíves afetam os índices de inflação?

Os combustíveis são componentes importantes na formação dos preços dos produtos. Um aumento no preço dos combustíveis impacta toda a cadeia produtiva. Mas isso não quer dizer que todos que tiveram aumentos de custos conseguirão repassar esses aumentos aos seus preços (é uma tendência, mas não um fato). Isso dependerá das condições de oferta e demanda no mercado.

O governo quando eleva o preço dos combustíveis simula o impacto que isso pode ocorrer nos índices de inflação. Estima-se que um aumento na ordem de 10% nos combustíveis, gera um impacto geral na inflação, na ordem de 0,7 ponto percentual. [voltar ao topo]

05. Como a inflação interfere na taxa oficial de juros, a Selic, hoje em 17% ao ano?

O Banco Central define as chamadas taxas nominais (sem descontar a inflação), mas de olho nas taxas reais (descontada a inflação). A meta é chegarmos em torno de 10% ao ano de taxa real (hoje estamos em 12%). Mas é importante colocar que os juros fazem parte da política monetária do país.

A escola monetarista entende que o controle eficiente da expansão da moeda auxilia no combate a inflação. Isso quer dizer: juros altos mantém recursos aplicados (não vão para o consumo), torna o crédito caro e portanto, segura a demanda, evitando altas nos preços. A inflação é um dos componentes para fixação da taxa de juros futura. [voltar ao topo]

06. Com o reajuste das tarifas públicas, corremos o risco de ver a inflação disparar?

Não. Novamente o governo simulou o impacto desses reajustes. Vivemos hoje uma insuficiência de demanda, portanto, mesmo que os empresários queiram repassar o aumento de custos aos preços, não encontrarão quem compre, portanto, esses aumentos deverão ser absorvidos pelas empresas (diminuindo suas margens de lucro). [voltar ao topo]

07. Na sua opinião, o governo conseguirá atingir as metas inflacionárias combinadas com o FMI?

Sim, todos os indicadores econômicos caminham nesse sentido. Vale destacar mais uma vez que o governo trabalha com metas futuras de inflação, desta forma, simula antes o que irá ocorrer. Isso lhe permite traçar cenários e utilizar ou não políticas econômicas recessivas para esse controle. [voltar ao topo]

08. Por que a deflação, o processo contrário ao de inflação, é visto como um mau sinal?

As empresas e empresários são motivados a produzir em função da possibilidade de aumento de lucro. Ora, se os preços estão em queda é porque não há forte demanda, se não há forte demanda, não há geração de vendas, portanto, o lucro esperado não será alcançado. Desta forma, em persistindo quedas acentuadas de preços, a atividade produtiva é desestimulada. Mas vale destacar que a deflação é indesejada se persistir por muitos meses. Um mês, isoladamente, principalmente quando se sai de um processo inflacionário, não causa grandes problemas à economia. [voltar ao topo]

 

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Reinaldo Cafeo

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